Há
anos eu não via aquele olhar. Foi surpreendente sentir a energia nos conectando
novamente. Era como se o tempo não tivesse passado. Juro que pude ouvir as suas
últimas palavras sussurradas com ódio: “Vai se arrepender disso!”
Eu
não me arrependi; deixá-lo foi um ato de amor-próprio. Contudo, confesso que,
diante daquele olhar ainda apaixonado, eu questionei nosso passado confuso de
idas e voltas, um amor vivido pela metade e que não poderia ter sido mais
intenso.
Ficamos
desajeitados um diante do outro. Optamos pela indiferença; foi como se nunca
tivéssemos vivido o que realmente vivemos. Um passado, um amor de várias faces
e dúvidas. Uma fase de ingenuidade e ilusão. Aquele olhar me balançou e, após
anos, senti que, apesar da distância e do corte total de qualquer vínculo entre
nós, ainda existe nós. Existe uma conexão que até hoje não compreendo. Que a
distância se mantenha e que a vida nos proporcione o melhor.
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