A estrela da cura - parte II

 



            


— Vocês são anjos? — perguntou a jovem, confusa, porém extasiada.

— Somos espíritos em processo de cura. Estamos em um lugar de paz para nos curarmos e curar  o todo. — Eles responderam com uma entonação suave.

A jovem sentiu a paz que eles transmitiam. Eles se uniram em um círculo e a abraçaram. Eles a amavam muito e isso foi estranhamente benéfico para ela. Mesmo sem compreensão, ela se permitiu ser amada por eles e consentiu pertencer ao grupo espiritual. Após o longo acolhimento, a responsável pelas crianças explicou àquela jovem sobre o processo de cura que cada alma precisava passar após o desencarne, enquanto as crianças brincavam ao seu redor. Após a explicação, a jovem sentiu que os conhecia de um tempo distante. Aos poucos, eles se afastaram para retornarem aos céus, e foi nesse instante que um menino de mais ou menos sete anos segurou o seu braço direito, aquele afetado pela dor, e o mordeu inesperadamente. Ela não sentiu dor alguma, apenas uma forte energia sendo retirada do seu corpo.

Cada criança se tornou um ponto de luz e, por último, a responsável. O círculo de luz se formou novamente e um a um retornou para a estrela brilhante. Após a partida de todos, a praça voltou a escurecer. A jovem olhou para o braço e a ferida da mordida se fechava aos poucos, sem sangue e sem dor. Dias se passaram e a jovem repassava em sua mente cada segundo daquela noite escura. Ela retornou para o banco da praça inúmeras vezes, mas nada ocorreu; nunca mais houve nenhum sinal deles. Contudo, após aquele contato sobrenatural, a sua dor havia desaparecido por completo. Nenhuma inflamação foi encontrada em seus exames; ela estava realmente curada. A cura veio até ela da maneira mais incrível, por meio do amor e de uma fé genuína. A cura e a sensação de ser tão amada acabaram com a sua tristeza; aquela jovem se manteve mais próxima de Deus por amor e gratidão.


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