— Vocês são
anjos? — perguntou a jovem, confusa, porém extasiada.
— Somos espíritos
em processo de cura. Estamos em um lugar de paz para nos curarmos e curar o todo. — Eles
responderam com uma entonação suave.
A jovem sentiu
a paz que eles transmitiam. Eles se uniram em um círculo e a abraçaram. Eles a
amavam muito e isso foi estranhamente benéfico para ela. Mesmo sem compreensão,
ela se permitiu ser amada por eles e consentiu pertencer ao grupo espiritual.
Após o longo acolhimento, a responsável pelas crianças explicou àquela jovem
sobre o processo de cura que cada alma precisava passar após o desencarne, enquanto as
crianças brincavam ao seu redor. Após a explicação, a jovem sentiu que os
conhecia de um tempo distante. Aos poucos, eles se afastaram para retornarem aos
céus, e foi nesse instante que um menino de mais ou menos sete anos segurou o
seu braço direito, aquele afetado pela dor, e o mordeu inesperadamente. Ela não
sentiu dor alguma, apenas uma forte energia sendo retirada do seu corpo.
Cada criança
se tornou um ponto de luz e, por último, a responsável. O círculo de luz se
formou novamente e um a um retornou para a estrela brilhante. Após a partida de
todos, a praça voltou a escurecer. A jovem olhou para o braço e a ferida da
mordida se fechava aos poucos, sem sangue e sem dor. Dias se passaram e a jovem
repassava em sua mente cada segundo daquela noite escura. Ela retornou para o
banco da praça inúmeras vezes, mas nada ocorreu; nunca mais houve nenhum sinal
deles. Contudo, após aquele contato sobrenatural, a sua dor havia desaparecido
por completo. Nenhuma inflamação foi encontrada em seus exames; ela estava
realmente curada. A cura veio até ela da maneira mais incrível, por meio do
amor e de uma fé genuína. A cura e a sensação de ser tão amada
acabaram com a sua tristeza; aquela jovem se manteve mais próxima de Deus por
amor e gratidão.
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