Para hoje, fiz
planos, um aniversário de uma pessoa querida para comemorar em confraternização
com amigos. Pela manhã, até o despertador emitiu um som mais contente. Acordei
bem e disposta, comecei a me arrumar com um sorriso. Preparei a minha bolsa com
os acessórios necessários para um dia no clube. Em frente ao espelho, quando eu
finalizava a maquiagem, ouvi vozes alteradas na sala. Fiquei curiosa para
verificar e, quando abri a porta do meu quarto, logo encontrei a minha mãe com
um semblante triste e abatido. Ela não hesitou em me contar que o pai de uma
amiga de infância havia falecido naquela manhã. A alegria partiu em segundos,
tristeza…
No meu
celular, as mensagens chegavam sobre a festa de aniversário. A empolgação do
grupo era imensa e eu não podia desmarcar, pois levaríamos uma amiga no carro.
Sentei na minha cama, olhei para a mochila e pensei no sofrimento dos nossos
amigos. Os horários estavam próximos e precisávamos comparecer tanto no
aniversário como no enterro. Planejamos cada detalhe, o trânsito, o tempo entre
cada evento: no clube, até os parabéns, e no cemitério, até a última oração.
Primeiro, o
clube, confraternizamos e sorrimos, ajudamos a alegrar a família dos amigos que
comemoravam mais um ano de vida com uma filha tão amada. Impossível descrever
com exatidão a aflição que me tomava. A dor e a felicidade, ambos tão próximos,
porém em mundos tão distintos. No trajeto para o cemitério, um silêncio cruel
no carro. Ao meu lado, doces e lembranças de um dia feliz. No cemitério, eu
pude ver uma dor cruel e sem fim no olhar da minha amiga, sua alma estava
destruída.
Comecei a
refletir sobre o amor e o tempo, fatores que antes não faziam muito sentido
para mim como uma adolescente. Contudo, ao presenciar no mesmo dia a
comemoração de uma vida e o luto por uma morte, redefini minhas perspectivas.
Percebi que até mesmo os simples planos do dia a dia deixam de ter significado
quando não há certezas para um futuro. Que futuro?
A verdade é que cada minuto é
precioso ao lado de quem amamos, precisamos focar em viver o agora.


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