O sinal

 



Que saudade do meu avô, ele era um homem bom, honesto e amoroso. Desde sempre, a sua prioridade era me agradar. Graças a ele, eu fui mimada e cuidada em uma grande família rodeada de amor. 

O tempo passou e o meu avô ficou idoso. Vieram os bisnetos e todos o enchiam de orgulho. Ele, mesmo com as suas limitações, sempre buscava agradar e ser prestativo. Após ele completar setenta anos, comecei a ter pesadelos. Eu via nitidamente o meu avô no caixão, cercado de flores e pessoas. Por noites e noites pude ver o seu velório. Preferi não comentar com ninguém. Afinal, ninguém acreditaria. Eu apenas orava para os pesadelos terminarem.

Alguns meses se passaram e os pesadelos desapareceram, eu pude dormir em paz. Tentei me aproximar do meu avô, pois temia a sua partida. Toda vez que eu o questionava sobre a sua saúde, ele sempre respondia estar forte e saudável. Até que um dia, veio a triste notícia de um câncer terminal. Quase um ano depois dos meus pesadelos, a notícia surgiu quando eu estava em paz e acreditava que tudo ficaria bem. Infelizmente, nada ficou bem. Em um curto período, eu perdi o meu avô.

Compreendi o sinal, cada pesadelo foi um alerta para mim. Eu precisava me preparar, fui ingênua em acreditar que não seria possível ter sonhos tão reveladores, compreendi o que Deus havia me dito. No dia do velório, tudo era igual, cada flor, cada coroa, cada pessoa, todos os cheiros e a dor, até mesmo a dor sufocante foi similar à que senti nos meus pesadelos. A partir dessa experiência, eu mudei, a minha espiritualidade nunca mais foi a mesma e hoje sigo atenta aos menores sinais, sempre com gratidão e fé.

 

 

Conto inspirado em fatos.

Nenhum comentário