Na rua em que
eu residia, havia uma casa linda, duplex, que chamava atenção pelo zelo e
cuidado da pintura e do jardim. Podíamos ver a escada de granito da rua, pois a
parede era de vidro. A escada era escura e chegava a um corredor branco, sem
quadros ou retratos. Apenas paredes brancas.
Eu retornava
para casa muito tarde, após a faculdade, e sempre chegava naquela rua por volta
da meia-noite. Todos os dias, eu notava a luz do corredor acesa. Os moradores
dormiam e mantinham aquela luz sempre acesa. O silêncio era profundo, nenhum
som emanava de lá. Algo atraía o meu olhar. Contudo, o corredor sempre do mesmo
jeito. Um dia, parei em frente àquela casa e observei o corredor vazio com seu
fundo branco. Senti um arrepio a me tomar por inteiro. Era como se eu também
estivesse sendo observada, senti uma observação mútua.
Após aquela
noite, eu fui notada. No dia seguinte, quando me aproximei da casa por volta da
meia-noite, as luzes começaram a piscar. Sei que aquilo foi um sinal, tentei
não olhar e me distraí com o celular, mas aquele corredor já não era o mesmo.
Passei pelo outro lado da calçada, mas algo atraía a minha atenção.
Os dias se
passaram e eu sempre na mesma rotina. As luzes piscavam para mim e, quando eu
me afastava, tudo retornava à normalidade. Entretanto, algo me fez sair daquela
rotina, até então eu não temia, mas tinha consciência de que algo espiritual
buscava a minha atenção. Em uma noite, eu me atrasei e acabei passando pela rua
mais tarde ainda. Como sempre, a rua estava vazia e o silêncio era incômodo.
Assim que passei pela esquina e avistei a escadaria da casa, a luz começou a
piscar. Só que desta vez, a escuridão permanecia por mais tempo e comecei a
contar os segundos, o tempo de escuridão aumentou e pensei: a luz deve ter
queimado! Continuei a caminhada e, quando olhei novamente, me surpreendi com um
vulto negro que surgiu na escuridão e olhou para mim. Foi extremamente
assustador, fiquei sem ar e apressei os meus passos. Eu sempre soube que
existia uma energia misteriosa ali. A partir daquele dia, nunca mais passei
naquela rua. Compreendi que, quando olhamos para algo com intenção, também
somos observados.


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