Em um corredor de uma
casa, uma peça de decoração delicadamente bela ornamentava o lar, a peça era um
espelho com a altura de um adulto. A sua moldura era de madeira com detalhes
talhados à mão, com uma camada de verniz que não desbotava nunca. Por anos, permaneceu
na mesma parede. Contudo, havia inúmeros relatos dos que ali habitavam de que o
espelho era muito mais do que uma mera decoração.
Geralmente, durante as
madrugadas, passos eram ouvidos no corredor, vultos eram presenciados ao redor
do espelho. As luzes se queimavam com frequência e arrepios eram sentidos. Uma
friagem incomum tomava o ambiente dependendo de quem estava diante do espelho.
Alguns o temiam e outros o ignoravam.
Ao ser retirada da casa
por motivo de mudança, a peça foi colocada de maneira protegida em um local
provisório. Entretanto, no novo endereço residia um gato, esperto e sensível
para aceitar facilmente o sobrenatural em seu território. Ao se aproximar da
peça, um incômodo tomou o felino de tal maneira que ele começou a rodear o
espelho sem olhar para ele. O dono da casa estranhou tal comportamento, mas
ficou observando o que poderia ocorrer, afinal sempre soube da fama daquele
espelho dentro da sua família.
Cada vez mais agitado, o
gato decidiu enfrentar o espelho como se existisse de fato o sobrenatural em
sua imagem. O animal entrou em posição de ataque, rosnando sem parar na frente
do espelho, seus olhos entraram em transe e o seu dono interferiu por temor ao
que não conseguia ver. O felino entrou em tamanho desespero que urinou de pavor
diante da visão que teve através daquele espelho, uma bela peça que ornamentava
o lar.


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